Como o Fernando Assis Pacheco disse numa posta ali em baixo, «Peyroteo foi o maior, maiorzíssimo que o Eusébio, esse aparecido providencialmente na era do marketing».
Na era do marketing, Eusébio tem coleccionado entrevistas, deixando para a história um conjunto de declarações infelizes. A entrevista do passado Domingo ao Expresso não fugiu à regra. Não pelo que Eusébio disse em relação ao Sporting, que revelam ressabiamento e populismo mediático, mas por aquilo que ele disse sobre as relações raciais e a «luta de classes», e que os adeptos de uma agremiação de bairro lisboeta resolveram omitir.
Por exemplo, onde estava Eusébio na independência de Moçambique?
«o Benfica libertou-me para ir à minha vida em 1976. Fui tentar recuperar o que tinha perdido em África, porque nacionalizaram tudo o que eu tinha comprado: jogava à bola, ganhava dinheiro e comprava terrenos. Perdi tudo. E quem me tirou as coisas? Gajos que eu conhecia, que tinham andado comigo na escola». (p.48)
E sobre relações raciais, classes e posições sociais, o que tem a dizer?
«Eu às vezes digo isto do ‘preto’, mas não é uma ofensa. A verdade é que pensavam que a família aqui do preto era mais uma, que estavam a falar com um preto qualquer, quando estavam a falar com um engenheiro. Aliás, o meu irmão é bem mais claro do que eu: é branco como o meu falecido pai. O meu era branco, eu sou parecido com a minha mãe». (p.45,46)
Como diria o Neil Young, «One of these days, I'm gonna sit down and write a long letter to all the good friends I've known». Quer dizer, sobre Eusébio, e a mitologia do Benfica anti-fascista, muito mais havia para dizer, mas fica para a próxima...

