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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Afinal o que é o comunismo?

Enquanto alguns continuam entretidos com o concurso de blogues da TVI, uma competição de vida ou morte (severina) para a luta de classes em Portugal, fora desta lusa farronca sem vintém os blogues bons, bonitos e agradáveis, começaram a desaparecer. Tal como o Fernando Assis Pacheco nunca foi «grande espingarda em montarias ao soneto importado» (Ver «Respiração Assitida»), eu também não fui talhado para fazer obituários, mas com tantos blogues a morrer não há palavra muda que aguente. Depois do Mark Fisher ter resolvido pôr o seu blogue a hibernar, e a Nina Power informar os seus leitores que ia entregar os papéis para a reforma, foi a vez de Evan Calder Williams decretar o fim do fenomenástico http://socialismandorbarbarism.blogspot.com/

Caldeirada Williams faz parte do muito cá de casa e, relembre-se, deixou para posteridade o comentário mais apetitoso sobre os motins de Londres: «Carta aberta a todos os que condenam os motins», traduzido pelo operário-poeta Miguel Cardoso, que também se embebeda, ou embebedava, nesta tasca, e publicado nas Edições Antipáticas.

Evan Calder Williams aproveitou o fim do seu blogue para escrever um longo excurso, que uma alminha caridosa podia fazer o obséquio de traduzir, sobre a finitude, a amizade, a efemeridade, os suportes digitais, as lutas, as línguas, Carlo Emilio Gadda, as consequências da dor, o comunismo, etc. Sobre o comunismo, Calder Williams deixou uma pequena nota, colocada entre parêntesis, que me parece bastante produtiva para quem se situa no campo político da igualdade. Como diria Rancière, quem não parte do pressuposto da igualdade das inteligências corre o risco de encontrar a desigualdade em cada esquina. Algo que costuma acontecer com frequência no campo do gosto, que é um terreno profícuo para demarcações simbólicas, hierarquias e desdéns de vária ordem. Por oposição às comunidades do bom gosto, cheias de luminárias, deferências, pancadinhas nas costas e pedagogias bem-intencionadas, não fosse o seu objectivo libertar os plebeus do seu gosto pouco refinado, Calder Wiliams apresenta-nos uma alegoria do «mau gosto». Quem sabe esta não é a alegoria que faltava para o comunismo do século XXI:

Note: as a defender of communism as structurally a project of "bad taste," insofar as it is the flowering of the misuse of things, of going too far, of dwelling at the edges of the underutilized capacity of spaces, techniques, and material, I stand firmly in support of that insane frenzy of available styles. It's no accident that so fucking gauche and far left mean basically the same thing. The last thing we need is to shackle ourselves transhistorically to a cool minimalism. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Da Comuna de Paris à Comuna do Rossio


Amanhã, pelas 21h30, no RDA 69, projecta-se o filme de Peter Watkins La Commune (Paris, 1871) e lança-se a brochura "Viva a Comuna", com textos de Walter Benjamin, Greil Marcus e Lissagaray, para além das "Teses sobre a comuna", da Internacional Situacionista. Antes, será servido um banquete comunista. No final, cada um lava o seu prato, segundo o saudável princípios da Comuna: nem direitos sem deveres, nem deveres sem direitos.