No Público de hoje Helena Matos insiste em dizer que há um problema de higiene nas acampadas. Como todos sabemos é um tema profundamente interessante inventariado pela Irene Pimentel quando se queixou do cheiro que lhe passou pelas vias quando passou por nós no Rossio. Eu tentei simpaticamente chamar a atenção de ambas para a trapalhada em que se metiam ao irem por tal argumentação. Fi-lo aqui. Mas vozes de burro não chegam ao céu. Na verdade a escala higienista da Helena Matos dá mostras de expansão. Diz agora que ao pé das acampadas as manifestações da CGTP são um primor organizacional, intelectual e, lá está, higiénico. Ou seja, o suor do proletariado tresanda mas o suor do lumpen tresanda ainda mais.
Aqui chegados, acho, muito sinceramente, que o único espaço que sobra é para o insulto. A via intelectual não está autorizada, porque a esse respeito somos fraquitos. Insultar Helena Matos. Dizer que cheira mal da boca. Que não lava os sovacos. Que sovacos rima com Matos. Já para não falar do cholé do pé. Aceitam-se contributos sobre as competências odoríferas da Helena Matos na caixa de comentários.
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quinta-feira, 16 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
No cabeleireiro com a Helena Matos
Há pessoas que possuem um jeito especial de caminhar, com uma das pernas sempre disponível para rasteirar a outra. Em alguns casos, é fruto de um problema de motricidade, o que não é muito engraçado, por certo. Em outros casos, porém, parece ser, pura e simplesmente, o efeito de um problema com as ideias, nomeadamente a impossibilidade de uma sua utilização que respeite minimamente as regras da gravidade. Vem isto a propósito do seguinte. Depois da crítica de Irene Pimentel à acampada do Rossio, pontuada com uma referência ao suposto mau cheiro da dita acampada, pensei que já não fosse possível encontrar um exercício intelectual tão sofisticado sobre o mesmo tema, mas eis que hoje, no Público, a Helena Matos equipara a presença de pessoas com rastas na acampada do Rossio à eventual futura presença de pessoas com suásticas numa eventual futura acampada. Ou seja, lembrou-se a cronista de invocar o nazismo, que interditava o direito à cidade com base nos atributos físicos da população, para assinalar politicamente atributos físicos da população. Que dizermos? Talvez que um dos problemas dos nossos liberais da direita (embora não só destes) seja o facto de não raramente subirem ao nível do mais rasteiro conservadorismo. A alternativa é estarem efectivamente empenhados em fazer lei do corte de cabelo à Helena Matos.
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