Em antecipação da palestra A Recusa da Cidade, por Evan Calder Williams, no Maria Matos, vamos aqui publicar a tradução portuguesa da Carta Aberta aos Condenam as Pilhagens (Edições Antipáticas, 2011), uma reflexão a propósito dos motins e pilhagens de Londres. Tanto mais que o essencial deste texto ultrapassa o seu contexto original:
Como esta foi originalmente publicada numa série de posts no Socialism and/or Barbarism, vamos também aqui dividi-la em partes."quando os pobres ficam mais pobres, as suas necessidades – e desejos, essa coisa que as classes médias e altas tanto gostam de menosprezar, como se querer algo que não temos dinheiro para comprar significasse que somos tontinhos – não têm a gentileza e boa educação de desaparecer. Tornam-se, pelo contrário, mais desesperadas, as zonas da cidade divididas de forma mais vincada e a polícia mais bruta."

Carta aberta aos que condenam as pilhagens
Evan Calder Williams
Caros todos,
Temo que nada tenhamos a dizer uns aos outros.
O que se segue pode por isso constituir uma das metades de um diálogo, da mesma forma que berrar em frente a uma jukebox feita de gelo o seria. É concebível que o próprio esforço de falar – uma certa quantidade de ar quente – amoleça um pouco a superfície, mas não deixa por esse facto de ser uma discussão unilateral. E não implica, igualmente, que vocês possam ou cheguem de facto a interromper a repetição dos discos que vos foram dados para tocar, essas vossas frases e evasões em circuito fechado e contínuo.


